O
Currículo do Ensino Médio, seus sujeitos e o desafio da Formação Humana
Integral
Reflexão: Que Ensino Médio queremos? Quais os caminhos para uma aprendizagem?
Possíveis caminhos para uma aprendizagem:
Quais
seriam as aprendizagens essenciais dos jovens considerando o seu conhecimento a
respeito da vida dos jovens? Que coisas eles precisariam aprender?
O
ENSINO MÉDIO DEVE FORMAR PARA O MUNDO DO TRABALHO?
No
Brasil, uma parcela importante dos jovens que estudam está trabalhando ou
procurando trabalho. Ou seja, são estudantes, mas também são trabalhadores. Uma
das maiores preocupações destes jovens é como se inserir num mercado de
trabalho tão competitivo, com oportunidades cada vez mais escassas. E para os
que já estão
nele,
o desafio é de se manter e/ou conseguir progredir profissionalmente.
É
dever da escola, como um espaço dedicado à formação e preparação dos jovens,
reconhecer a necessidade do trabalho em suas vidas e ajudá-los a compreenderem
o funcionamento do “mundo do trabalho” atual, bem como apoiá-los para que
tenham mais chances de nele se inserir, permanecer e progredir.
Pontos favoráveis
• Se a
escola for voltada à formação profissional, permitirá que os jovens tenham um
diploma. Isso vai facilitar sua entrada no mercado de trabalho em ocupações
mais qualificadas.
• A
escola deixará de se silenciar em relação à condição trabalhadora de seus
alunos e deverá oferecer um ensino mais sintonizado com as expectativas e as
necessidades profissionais deles.
• O
ensino será mais prático, voltado ao trabalho, e, consequentemente, menos
teórico, o que vai despertar o interesse dos alunos.
• Os
jovens terão mais chances de construir um projeto profissional ao longo do
Ensino Médio, coisa que não acontece hoje em dia. Isso porque vão compreender
melhor o mercado de trabalho e serão estimulados a pensar sobre si dentro deste
mercado, a planejar e projetar uma escolha profissional, bem como ter ideia de
caminhos
que deverão percorrer para concretizar seus planos.
• O
país poderá melhorar sua economia, pois se os jovens estiverem melhor
preparados para o trabalho serão mais produtivos e capazes de gerar mais
riquezas.
• A
escola terá que se atualizar em relação às mudanças científicas, tecnológicas,
produtivas, tornando-se mais próxima dos avanços existentes nas empresas e na
sociedade, e aproximando os alunos destes avanços.
Pontos desfavoráveis
• Se
as escolas oferecerem formação tendo em vista fornecer uma habilitação
profissional aos jovens, vai gerar um “excesso” de diplomas no mercado. Diante
de tanta oferta de diplomas, eles valerão pouco e, consequentemente, não vão
ajudar os jovens a conseguirem emprego.
• A
escola vai deixar de formar cidadãos críticos e conscientes para formar,
sobretudo, trabalhadores que “sirvam” para o mercado de trabalho, que se
“encaixem” nas exigências dos empregadores e cuja preocupação central é com sua
própria vida profissional.
• Como
as escolas estão muito despreparadas para a formação profissional (não tem
laboratórios, equipamentos, máquinas e materiais) vão oferecer um ensino de
baixa qualidade.
• Os
jovens que serão formados para o trabalho terão mais dificuldade de prestar o
vestibular, pois não foram preparados para isso. As chances dos alunos de
escolas públicas entrarem na faculdade vão diminuir ainda mais
• Como
os professores que estão nas escolas não possuem conhecimentos técnicos e
profissionalizantes, eles podem perder seus empregos, e o país vai desperdiçar
um grande contingente de profissionais já formados.
• Como
não há empregos para todos, a escola corre o risco de formar trabalhadores que
irão ocupar postos de baixa qualificação no mercado de trabalho, desenvolvendo
tarefas para as quais a escolaridade do Ensino Médio não seria necessária. Isso
iria reforçar ainda mais as desigualdades já existentes.
O
ENSINO MÉDIO DEVE FORMAR OS JOVENS PARA INGRESSAREM NO ENSINO SUPERIOR?
Atualmente
as oportunidades de escolarização estão aumentando para os jovens. Cada vez
mais eles têm acesso ao Ensino Médio e também demonstram interesse em
prosseguir os estudos nas universidades. Em boa parte, isso se deve à
necessidade de buscar maior qualificação frente a um mercado de trabalho cada
vez mais competitivo. Isso porque quanto maior o grau de escolaridade, maiores
as chances de conseguir um emprego e de progredir profissionalmente. Além
disso, a vida universitária abre um grande leque de oportunidades aos jovens:
acesso a um ambiente acadêmico, experimentação de escolhas profissionais,
convívio com outros jovens, engajamento em projetos de extensão universitária
que ajudam as comunidades, contato com informações e conhecimentos socialmente
valorizados, entre outros. Enfim, a universidade oferece um conjunto de
oportunidades de crescimento pessoal e social.
Considerando
a alta competitividade pelas vagas nas universidades, sobretudo nas públicas, é
tarefa da escola preparar os jovens para enfrentarem esta competição e,
inclusive, estimular e incentivar aqueles alunos que ainda não tenham interesse
a ingressarem no Ensino Superior.
Pontos favoráveis
• Os
alunos das escolas públicas terão maiores chances de entrarem nas
universidades, inclusive nas públicas. Isso vai permitir romper o ciclo de
reprodução da desigualdade social, pois as pessoas mais pobres terão mais chances
de melhorar de vida.
• Quem
está preparado para o vestibular também está mais preparado para enfrentar
outras provas, como os concursos públicos e outros processos de seleção.
• Os
alunos vão ficar mais motivados para estudar e para concluir o Ensino Médio,
pois vão sentir que têm chances reais de entrarem numa universidade.
• Os
jovens, em geral, serão estimulados a seguirem uma carreira universitária, o
que vai aumentar o nível de escolaridade da população brasileira e possibilitar
ao país acelerar seu processo de desenvolvimento econômico e social.
• A
preparação para o ingresso no Ensino Superior vai fornecer uma base de formação
teórica e científica aos jovens. O Brasil vai revelar talentos na área da
pesquisa e da ciência, o que é muito importante para o desenvolvimento de um
país.
• Os
jovens dependeriam cada vez menos de cursinho particulares e deixariam de
contribuir para o atual “mercado dos vestibulares”.
pontos desfavoráveis
• O
Ensino Médio vai se voltar ao preparo dos jovens para a competição no
vestibular, quando deveria ensinar os valores da cooperação, da solidariedade e
da inclusão. Vai estimular a competitividade em vez de questioná-la e de
defender que haja vagas para todos nas universidades.
• Há
muitos estudantes no Ensino Médio que não pretendem fazer faculdade. Se a
escola for voltada apenas para o prosseguimento dos estudos no ensino superior,
estes alunos vão se sentir desestimulados em frequentar o Ensino Médio e a
escola não terá sentido para eles.
• A
formação para o vestibular é muito restrita aos conteúdos teóricos das várias
matérias. Há outras coisas que os jovens devem aprender para se prepararem para
a vida, tais como: desenvolver uma visão crítica da realidade, aprender
habilidades, atitudes e valores necessários para a vida em sociedade, estar
preparado para ajudar a resolver conflitos, saber conduzir-se nas relações
afetivas e nos cuidados com o corpo, usar a criatividade, entre outras. Se o
Ensino Médio for apenas voltado para o vestibular, vamos ter pessoas com mais
conhecimentos, porém menos preparadas para enfrentar os desafios da vida.
• O
número de vagas no Ensino Superior é bem menor do que o número de estudantes
que se formam no Ensino Médio. Aqueles que não conseguirem entrar numa
faculdade vão estar despreparados para outras alternativas e serão
prejudicados.
• Não
basta formar os jovens para entrarem nas faculdades, pois muitos não têm
condições de se manter nelas. Eles precisam comprar livros, pagar pelo
transporte, se alimentar, ter tempo disponível para estudar. Boa parte dos
jovens apenas poderá se manter na faculdade se arranjar um emprego, mas como o
estudante conseguirá fazer isso se estará despreparado para o mundo do
trabalho?
• O
país precisa de todo tipo de trabalho, não só o de nível superior. Se ficar
voltado apenas à preparação para a universidade, o Ensino Médio vai difundir a
falsa ideia de que o único caminho para um bom futuro profissional é entrar na
faculdade, quando na verdade há outros caminhos.
O
ENSINO MÉDIO DEVE FORMAR OS JOVENS PARA A VIDA E PARA A CIDADANIA?
No
mundo atual, é cada vez maior a quantidade de informações que as pessoas podem
ter acesso. Rádio, televisão, jornais, revistas, filmes, livros e Internet são
meios que, sem dúvida, aumentam nosso leque de comunicação e de busca por
conhecimento. É papel do Ensino Médio enriquecer as informações disponíveis aos
alunos, oferecendo-lhes acesso às tecnologias, aos espaços culturais, às
diferentes linguagens artísticas. Mas não para por aí: a escola precisa formar
o aluno para que ele possa ter uma postura ativa frente a esse conjunto de
informações e buscar um saber mais aprofundado, com espírito crítico e fundamentado.
A
escola deve, principalmente, ajudar o aluno a compreender o mundo e a
desenvolver sua própria opinião, a conhecer melhor suas próprias
potencialidades e limites, a expressar-se por meio de diferentes linguagens, a saber
fazer escolhas conscientes, a conviver com as diferenças, a construir projetos
para o seu futuro e para o da sociedade.
PONTOS FAVORÁVEIS
• A formação para a vida
e para a cidadania prepara as pessoas para enfrentarem os desafios do presente,
para se posicionarem diante da realidade social. Com isso, os indivíduos
poderão realizar diversas escolhas, sem se limitar à ideia de somente pensar o
que serão no futuro.
• As pessoas se tornarão
mais críticas e participativas, o que é bom para o país e para a democracia.
• Uma formação voltada
para a cidadania irá enfatizar a importância da convivência democrática, da
aceitação das diferenças, da necessidade do diálogo e da participação das
pessoas para a resolução dos problemas coletivos.
• Os jovens terão mais
acesso a diferentes linguagens artísticas e culturais e às diferentes
tecnologias e meios de comunicação.
• Essa formação vai
contribuir para as pessoas serem mais criativas, mais autônomas, e não ficarem
restritas a um certo tipo de atividade.
• A escola dará uma base
para que cada um possa conhecer suas potencialidades e escolher seu próprio
caminho na universidade, no mundo do trabalho, no mundo da política e da vida
comunitária, dando as condições para que as pessoas continuem aprendendo em
outros espaços para além da sua unidade escolar.
Pontos desfavoráveis
• Com
essa formação, as disciplinas e conteúdos escolares tradicionais perdem
importância, o que pode prejudicar aqueles que pretendem prestar vestibular.
• Essa
formação não garante que os estudantes tenham uma profissão e que estejam preparados
para um mercado de trabalho competitivo.
• A
escola pode perder o seu foco, envolvendo-se em um conjunto de atividades de
caráter cultural, comunitário, político e social, sem ter clareza dos seus
objetivos.
• O
fortalecimento de grupos culturais, de grupos de mídia e de grêmios estudantis
nas escolas pode provocar o aparecimento de conflitos e de tensões entre
professores e estudantes.
• Os
professores teriam que receber um preparo do Estado para esse tipo de formação,
pois a maioria deles teve uma formação universitária voltada apenas para a sua
disciplina (História, Física...). Esse pode ser um processo muito demorado e os
alunos seriam prejudicados por isso.
• A
escola é uma instituição muito rígida, que resiste às mudanças. Dificilmente
terá agilidade para acompanhar os avanços tecnológicos, o desenvolvimento
artístico e cultural, até porque isso exige recursos materiais que a escola não
possui. Outros espaços, como a TV, a família, os grupos religiosos e culturais,
as associações comunitárias, entre outras, são mais eficientes para
possibilitar o acesso às informações, às tecnologias, ao desenvolvimento de
valores e ao exercício da cidadania.
ATIVIDADE III CADERNO - PARTE II (Individual)
Baseado nas reflexões acerca do conteúdo ensinado na sua disciplina, que relações existem entre o que você ensina e o mundo do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura?
ATIVIDADE III CADERNO - PARTE III (coletiva)
O desafio da semana é a
organização curricular na perspectiva interdisciplinar que articule os
conhecimentos com conexões entre as áreas, a fim de inserir a transversalidade
como proposta de trabalho já discutida no encontro do dia 29 de novembro, a
exemplo da formação de Pais e o diálogo entre as disciplinas, sem deixar de
organizar a base comum nacional voltada para o trabalho nas áreas do
conhecimento, desdobradas em disciplinas e a formação geral do aluno.
O professor deverá
se reunir por área e apresentar uma proposta, no dia da nossa próxima Oficina, que envolva uma produção coletiva fundamentada nos
conteúdos de um bimestre com ações educativas no exercício das competências e
das habilidades, que promova as identidades juvenis ao mostrar o jovem como
sujeito do ensino e dê oportunidade a esse jovem de se mostrar por trás do
uniforme que carrega no que se refere aos procedimentos e às atitudes com o
objetivo de envolver no trabalho pedagógico comportamentos éticos com formação
de valores de cooperação, solidariedade, trabalho em grupo, respeito ao
próximo, respeito à diversidade, exercício da cidadania e a boa convivência em
sala de aula.
Bom trabalho a todos!


