segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

3º Caderno - Parte II



O Currículo do Ensino Médio, seus sujeitos e o desafio da Formação Humana Integral

Reflexão: Que Ensino Médio queremos? Quais os caminhos para uma aprendizagem?

 
Possíveis caminhos para uma aprendizagem:

Quais seriam as aprendizagens essenciais dos jovens considerando o seu conhecimento a respeito da vida dos jovens? Que coisas eles precisariam aprender?


O ENSINO MÉDIO DEVE FORMAR PARA O MUNDO DO TRABALHO?

No Brasil, uma parcela importante dos jovens que estudam está trabalhando ou procurando trabalho. Ou seja, são estudantes, mas também são trabalhadores. Uma das maiores preocupações destes jovens é como se inserir num mercado de trabalho tão competitivo, com oportunidades cada vez mais escassas. E para os que já estão
nele, o desafio é de se manter e/ou conseguir progredir profissionalmente.

É dever da escola, como um espaço dedicado à formação e preparação dos jovens, reconhecer a necessidade do trabalho em suas vidas e ajudá-los a compreenderem o funcionamento do “mundo do trabalho” atual, bem como apoiá-los para que tenham mais chances de nele se inserir, permanecer e progredir.

Pontos favoráveis

• Se a escola for voltada à formação profissional, permitirá que os jovens tenham um diploma. Isso vai facilitar sua entrada no mercado de trabalho em ocupações mais qualificadas.
• A escola deixará de se silenciar em relação à condição trabalhadora de seus alunos e deverá oferecer um ensino mais sintonizado com as expectativas e as necessidades profissionais deles.
• O ensino será mais prático, voltado ao trabalho, e, consequentemente, menos teórico, o que vai despertar o interesse dos alunos.
• Os jovens terão mais chances de construir um projeto profissional ao longo do Ensino Médio, coisa que não acontece hoje em dia. Isso porque vão compreender melhor o mercado de trabalho e serão estimulados a pensar sobre si dentro deste mercado, a planejar e projetar uma escolha profissional, bem como ter ideia de
caminhos que deverão percorrer para concretizar seus planos.
• O país poderá melhorar sua economia, pois se os jovens estiverem melhor preparados para o trabalho serão mais produtivos e capazes de gerar mais riquezas.
• A escola terá que se atualizar em relação às mudanças científicas, tecnológicas, produtivas, tornando-se mais próxima dos avanços existentes nas empresas e na sociedade, e aproximando os alunos destes avanços.

Pontos desfavoráveis

• Se as escolas oferecerem formação tendo em vista fornecer uma habilitação profissional aos jovens, vai gerar um “excesso” de diplomas no mercado. Diante de tanta oferta de diplomas, eles valerão pouco e, consequentemente, não vão ajudar os jovens a conseguirem emprego.
• A escola vai deixar de formar cidadãos críticos e conscientes para formar, sobretudo, trabalhadores que “sirvam” para o mercado de trabalho, que se “encaixem” nas exigências dos empregadores e cuja preocupação central é com sua própria vida profissional.
• Como as escolas estão muito despreparadas para a formação profissional (não tem laboratórios, equipamentos, máquinas e materiais) vão oferecer um ensino de baixa qualidade.
• Os jovens que serão formados para o trabalho terão mais dificuldade de prestar o vestibular, pois não foram preparados para isso. As chances dos alunos de escolas públicas entrarem na faculdade vão diminuir ainda mais
• Como os professores que estão nas escolas não possuem conhecimentos técnicos e profissionalizantes, eles podem perder seus empregos, e o país vai desperdiçar um grande contingente de profissionais já formados.
• Como não há empregos para todos, a escola corre o risco de formar trabalhadores que irão ocupar postos de baixa qualificação no mercado de trabalho, desenvolvendo tarefas para as quais a escolaridade do Ensino Médio não seria necessária. Isso iria reforçar ainda mais as desigualdades já existentes.

O ENSINO MÉDIO DEVE FORMAR OS JOVENS PARA INGRESSAREM NO ENSINO SUPERIOR?

Atualmente as oportunidades de escolarização estão aumentando para os jovens. Cada vez mais eles têm acesso ao Ensino Médio e também demonstram interesse em prosseguir os estudos nas universidades. Em boa parte, isso se deve à necessidade de buscar maior qualificação frente a um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Isso porque quanto maior o grau de escolaridade, maiores as chances de conseguir um emprego e de progredir profissionalmente. Além disso, a vida universitária abre um grande leque de oportunidades aos jovens: acesso a um ambiente acadêmico, experimentação de escolhas profissionais, convívio com outros jovens, engajamento em projetos de extensão universitária que ajudam as comunidades, contato com informações e conhecimentos socialmente valorizados, entre outros. Enfim, a universidade oferece um conjunto de oportunidades de crescimento pessoal e social.

Considerando a alta competitividade pelas vagas nas universidades, sobretudo nas públicas, é tarefa da escola preparar os jovens para enfrentarem esta competição e, inclusive, estimular e incentivar aqueles alunos que ainda não tenham interesse a ingressarem no Ensino Superior.

Pontos favoráveis

• Os alunos das escolas públicas terão maiores chances de entrarem nas universidades, inclusive nas públicas. Isso vai permitir romper o ciclo de reprodução da desigualdade social, pois as pessoas mais pobres terão mais chances de melhorar de vida.
• Quem está preparado para o vestibular também está mais preparado para enfrentar outras provas, como os concursos públicos e outros processos de seleção.
• Os alunos vão ficar mais motivados para estudar e para concluir o Ensino Médio, pois vão sentir que têm chances reais de entrarem numa universidade.
• Os jovens, em geral, serão estimulados a seguirem uma carreira universitária, o que vai aumentar o nível de escolaridade da população brasileira e possibilitar ao país acelerar seu processo de desenvolvimento econômico e social.
• A preparação para o ingresso no Ensino Superior vai fornecer uma base de formação teórica e científica aos jovens. O Brasil vai revelar talentos na área da pesquisa e da ciência, o que é muito importante para o desenvolvimento de um país.
• Os jovens dependeriam cada vez menos de cursinho particulares e deixariam de contribuir para o atual “mercado dos vestibulares”.


pontos desfavoráveis

• O Ensino Médio vai se voltar ao preparo dos jovens para a competição no vestibular, quando deveria ensinar os valores da cooperação, da solidariedade e da inclusão. Vai estimular a competitividade em vez de questioná-la e de defender que haja vagas para todos nas universidades.
• Há muitos estudantes no Ensino Médio que não pretendem fazer faculdade. Se a escola for voltada apenas para o prosseguimento dos estudos no ensino superior, estes alunos vão se sentir desestimulados em frequentar o Ensino Médio e a escola não terá sentido para eles.
• A formação para o vestibular é muito restrita aos conteúdos teóricos das várias matérias. Há outras coisas que os jovens devem aprender para se prepararem para a vida, tais como: desenvolver uma visão crítica da realidade, aprender habilidades, atitudes e valores necessários para a vida em sociedade, estar preparado para ajudar a resolver conflitos, saber conduzir-se nas relações afetivas e nos cuidados com o corpo, usar a criatividade, entre outras. Se o Ensino Médio for apenas voltado para o vestibular, vamos ter pessoas com mais conhecimentos, porém menos preparadas para enfrentar os desafios da vida.
• O número de vagas no Ensino Superior é bem menor do que o número de estudantes que se formam no Ensino Médio. Aqueles que não conseguirem entrar numa faculdade vão estar despreparados para outras alternativas e serão prejudicados.
• Não basta formar os jovens para entrarem nas faculdades, pois muitos não têm condições de se manter nelas. Eles precisam comprar livros, pagar pelo transporte, se alimentar, ter tempo disponível para estudar. Boa parte dos jovens apenas poderá se manter na faculdade se arranjar um emprego, mas como o estudante conseguirá fazer isso se estará despreparado para o mundo do trabalho?
• O país precisa de todo tipo de trabalho, não só o de nível superior. Se ficar voltado apenas à preparação para a universidade, o Ensino Médio vai difundir a falsa ideia de que o único caminho para um bom futuro profissional é entrar na faculdade, quando na verdade há outros caminhos.

O ENSINO MÉDIO DEVE FORMAR OS JOVENS PARA A VIDA E PARA A CIDADANIA?

No mundo atual, é cada vez maior a quantidade de informações que as pessoas podem ter acesso. Rádio, televisão, jornais, revistas, filmes, livros e Internet são meios que, sem dúvida, aumentam nosso leque de comunicação e de busca por conhecimento. É papel do Ensino Médio enriquecer as informações disponíveis aos alunos, oferecendo-lhes acesso às tecnologias, aos espaços culturais, às diferentes linguagens artísticas. Mas não para por aí: a escola precisa formar o aluno para que ele possa ter uma postura ativa frente a esse conjunto de informações e buscar um saber mais aprofundado, com espírito crítico e fundamentado.

A escola deve, principalmente, ajudar o aluno a compreender o mundo e a desenvolver sua própria opinião, a conhecer melhor suas próprias potencialidades e limites, a expressar-se por meio de diferentes linguagens, a saber fazer escolhas conscientes, a conviver com as diferenças, a construir projetos para o seu futuro e para o da sociedade.

PONTOS FAVORÁVEIS

• A formação para a vida e para a cidadania prepara as pessoas para enfrentarem os desafios do presente, para se posicionarem diante da realidade social. Com isso, os indivíduos poderão realizar diversas escolhas, sem se limitar à ideia de somente pensar o que serão no futuro.
• As pessoas se tornarão mais críticas e participativas, o que é bom para o país e para a democracia.
• Uma formação voltada para a cidadania irá enfatizar a importância da convivência democrática, da aceitação das diferenças, da necessidade do diálogo e da participação das pessoas para a resolução dos problemas coletivos.
• Os jovens terão mais acesso a diferentes linguagens artísticas e culturais e às diferentes tecnologias e meios de comunicação.
• Essa formação vai contribuir para as pessoas serem mais criativas, mais autônomas, e não ficarem restritas a um certo tipo de atividade.
• A escola dará uma base para que cada um possa conhecer suas potencialidades e escolher seu próprio caminho na universidade, no mundo do trabalho, no mundo da política e da vida comunitária, dando as condições para que as pessoas continuem aprendendo em outros espaços para além da sua unidade escolar.

Pontos desfavoráveis

• Com essa formação, as disciplinas e conteúdos escolares tradicionais perdem importância, o que pode prejudicar aqueles que pretendem prestar vestibular.
• Essa formação não garante que os estudantes tenham uma profissão e que estejam preparados para um mercado de trabalho competitivo.
• A escola pode perder o seu foco, envolvendo-se em um conjunto de atividades de caráter cultural, comunitário, político e social, sem ter clareza dos seus objetivos.
• O fortalecimento de grupos culturais, de grupos de mídia e de grêmios estudantis nas escolas pode provocar o aparecimento de conflitos e de tensões entre professores e estudantes.
• Os professores teriam que receber um preparo do Estado para esse tipo de formação, pois a maioria deles teve uma formação universitária voltada apenas para a sua disciplina (História, Física...). Esse pode ser um processo muito demorado e os alunos seriam prejudicados por isso.
• A escola é uma instituição muito rígida, que resiste às mudanças. Dificilmente terá agilidade para acompanhar os avanços tecnológicos, o desenvolvimento artístico e cultural, até porque isso exige recursos materiais que a escola não possui. Outros espaços, como a TV, a família, os grupos religiosos e culturais, as associações comunitárias, entre outras, são mais eficientes para possibilitar o acesso às informações, às tecnologias, ao desenvolvimento de valores e ao exercício da cidadania.

Fonte: Ação Educativa
 

ATIVIDADE III CADERNO - PARTE II (Individual)

Baseado nas reflexões acerca do conteúdo ensinado na sua disciplina, que relações existem entre o que você ensina e o mundo do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura?




ATIVIDADE III CADERNO - PARTE III (coletiva)

O desafio da semana é a organização curricular na perspectiva interdisciplinar que articule os conhecimentos com conexões entre as áreas, a fim de inserir a transversalidade como proposta de trabalho já discutida no encontro do dia 29 de novembro, a exemplo da formação de Pais e o diálogo entre as disciplinas, sem deixar de organizar a base comum nacional voltada para o trabalho nas áreas do conhecimento, desdobradas em disciplinas e a formação geral do aluno.



O professor deverá se reunir por área e apresentar uma proposta, no dia da nossa próxima Oficina, que envolva uma produção coletiva fundamentada nos conteúdos de um bimestre com ações educativas no exercício das competências e das habilidades, que promova as identidades juvenis ao mostrar o jovem como sujeito do ensino e dê oportunidade a esse jovem de se mostrar por trás do uniforme que carrega no que se refere aos procedimentos e às atitudes com o objetivo de envolver no trabalho pedagógico comportamentos éticos com formação de valores de cooperação, solidariedade, trabalho em grupo, respeito ao próximo, respeito à diversidade, exercício da cidadania e a boa convivência em sala de aula.



Bom trabalho a todos!
 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

3º Caderno - Parte I



O Currículo do Ensino Médio, seus sujeitos e o desafio da Formação Humana Integral



OBJETIVOS DO CADERNO III

- Reflexão sobre as práticas do professor e as relações dessas práticas com o campo teórico do currículo;

- Entender o sentido de conhecimento e a relação entre o conhecimento escolar e o sujeito do Ensino Médio;

- Buscar compreender como o conhecimento se articula entre às dimensões da formação humana a ciência, a cultura, o trabalho e a tecnologia presentes nas proposições das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio.


REFLEXÃO 

É caminhando que se vê que nada passa.

Pois as marcas ficam no outro que vem depois.

E nesta trilha que se chama vida,

O passado é mais presente

Quando o rastro vale a pena,

E se não vale, é pena,

Mas também fica.

                               
 Professora Manoelina Moraes Apoliano


Para que um conhecimento seja aprendido e recriado deve ser levado em consideração os diferentes níveis de percepções dos alunos, uma vez que existem pessoas sinestésicas, visuais e auditivas e, segundo as Diretrizes Curriculares do Estado do Maranhão que fundamenta e orienta toda a Rede de Ensino Médio Estadual afirma que, a aprendizagem significativa deve ser instrumentalizada com princípios pedagógicos com atividades planejadas, objetivos estabelecidos, método didático na perspectiva dialética, e ações organizadas com diálogo entre as disciplinas, com fio condutor nas práticas sequenciadas tendo como ponto de partida a formação humana integral, ao mesmo tempo em que as dimensões do trabalho, da ciência, da cultura e da tecnologia estejam  voltadas  para a teoria e a prática aliadas ao conhecimento e a produção do pensamento pelo qual se aprende e se representa nas relações que constituem o dia a dia, dentro e fora do espaço escolar.


Partindo de uma compreensão de que não existe nenhuma receita pronta para a prática pedagógica e de que não podemos adquirir uma concepção mais ampla a qual não seja construída pelo próprio educador, entendemos que os conteúdos ministrados em sala de aula contribuem sim, tanto para a vida como para o mundo do trabalho uma vez que estas se complementam. A escola é, sem dúvida, um laboratório de relações pessoais.


A partir dos conhecimentos iniciados na escola espera-se que o estudante consiga relacioná-los com o contexto científico, cultural, tecnológico e social no qual está inserido, exercendo e atuando de forma coerente com a sociedade.


ATIVIDADE CADERNO III – Parte I (Atividade de leitura e reflexão)


Para iniciar o nosso trabalho é preciso que cada professor/coordenador, antes da leitura do caderno III, faça o levantamento dos conteúdos da sua disciplina em pelo menos uma das séries que leciona, observando e analisando-os por bimestre, fazendo as devidas anotações em relação ao aproveitamento dos conteúdos e se eles estão de acordo com a realidade da escola. No caso do coordenador pedagógico ele deverá fazer as anotações em relação ao acompanhamento e análise dos planos anuais dos professores. Em seguida o professor/coordenador deverá fazer uma leitura mais aprofundada do caderno e refletir sobre sua prática em relação ao currículo para posterior atividade em grupo. 


Vamos lá, professores!!!