terça-feira, 12 de maio de 2015

Caderno II - 2ª Etapa (Slides)






































Caderno II - 2ª Etapa (Apresentação)





OBJETIVO

- Discutir na história o que veio a ser denominado de Humanidades e de Ciências Humanas, problematizando aspectos estruturais e conjunturais que interferem na elaboração de propostas pedagógicas interdisciplinares;
- Indagar sobre os jovens estudantes do Ensino Médio, buscando indicar ações curriculares baseadas  no conhecimento e valorização de suas experiências, saberes e expectativas;
- Analisar o eixo trabalho, cultura, ciência e tecnologia à luz da contribuição específica dos componentes curriculares das Ciências Humanas;
- Refletir sobre propostas e sugestões de abordagens pedagógicas interdisciplinares nas Ciências Humanas, no Ensino Médio.


REFLEXÃO 1: O MITO DA CAVERNA

 


O mito ou “Alegoria” da caverna é uma das passagens mais clássicas da história da Filosofia, sendo parte constituinte do livro VI de “A República” onde Platão discute sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal.

A narrativa expressa dramaticamente a imagem de prisioneiros que desde o nascimento são acorrentados no interior de uma caverna de modo que olhem somente para uma parede iluminada por uma fogueira. Essa, ilumina um palco onde estátuas dos seres como homem, planta, animais etc. são manipuladas, como que representando o cotidiano desses seres. No entanto, as sombras das estátuas são projetadas na parede, sendo a única imagem que aqueles prisioneiros conseguem enxergar. Com o correr do tempo, os homens dão nomes a essas sombras (tal como nós damos às coisas) e também à regularidade de aparições destas. Os prisioneiros fazem, inclusive, torneios para se gabarem, se vangloriarem a quem acertar as corretas denominações e regularidades.

Imaginemos agora que um destes prisioneiros é forçado a sair das amarras e vasculhar o interior da caverna. Ele veria que o que permitia a visão era a fogueira e que na verdade, os seres reais eram as estátuas e não as sombras. Perceberia que passou a vida inteira julgando apenas sombras e ilusões, desconhecendo a verdade, isto é, estando afastado da verdadeira realidade. Mas imaginemos ainda que esse mesmo prisioneiro fosse arrastado para fora da caverna. Ao sair, a luz do sol ofuscaria sua visão imediatamente e só depois de muito habituar-se com a nova realidade, poderia voltar a enxergar as maravilhas dos seres fora da caverna. Não demoraria a perceber que aqueles seres tinham mais qualidades do que as sombras e as estátuas, sendo, portanto, mais reais. Significa dizer que ele poderia contemplar a verdadeira realidade, os seres como são em si mesmos. Não teria dificuldades em perceber que o Sol é a fonte da luz que o faz ver o real, bem como é desta fonte que provém toda existência (os ciclos de nascimento, do tempo, o calor que aquece etc.).

Maravilhado com esse novo mundo e com o conhecimento que então passara a ter da realidade, esse ex-prisioneiro lembrar-se-ia de seus antigos amigos no interior da caverna e da vida que lá levavam. Imediatamente, sentiria pena deles, da escuridão em que estavam envoltos e desceria à caverna para lhes contar o novo mundo que descobriu. No entanto, como os ainda prisioneiros não conseguem vislumbrar senão a realidade que presenciam, vão debochar do seu colega liberto, dizendo-lhe que está louco e que se não parasse com suas maluquices acabariam por matá-lo.

Este modo de contar as coisas tem o seu significado: os prisioneiros somos nós que, segundo nossas tradições diferentes, hábitos diferentes, culturas diferentes, estamos acostumados com as noções sem que delas reflitamos para fazer juízos corretos, mas apenas acreditamos e usamos como nos foi transmitido. A caverna é o mundo ao nosso redor, físico, sensível em que as imagens prevalecem sobre os conceitos, formando em nós opiniões por vezes errôneas e equivocadas, (pré-conceitos, pré-juízos). Quando começamos a descobrir a verdade, temos dificuldade para entender e apanhar o real (ofuscamento da visão ao sair da caverna) e para isso, precisamos nos esforçar, estudar, aprender, querer saber. O mundo fora da caverna representa o mundo real, que para Platão é o mundo inteligível por possuir Formas ou Ideias que guardam consigo uma identidade indestrutível e imóvel, garantindo o conhecimento dos seres sensíveis. O inteligível é o reino das matemáticas que são o modo como apreendemos o mundo e construímos o saber humano. A descida é a vontade ou a obrigação moral que o homem esclarecido tem de ajudar os seus semelhantes a saírem do mundo da ignorância e do mal para construírem um mundo (Estado) mais justo, com sabedoria. O Sol representa a Ideia suprema de Bem, ente supremo que governa o inteligível, permite ao homem conhecer e de onde deriva toda a realidade (o cristianismo o confundiu com Deus).

Portanto, a alegoria da caverna é um modo de contar imageticamente o que conceitualmente os homens teriam dificuldade para entenderem, já que, pela própria narrativa, o sábio nem sempre se faz ouvir pela maioria ignorante.
Fonte: Brasil Escola


REFLEXÃO 2: SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
 




A filósofa Viviane Mosé apresenta, em vídeo uma discussão sobre os desafios para a educação na sociedade do conhecimento. Segundo a filósofa, nos últimos vinte anos houve uma mudança radical na sociedade que foi a democratização do conhecimento. A internet inaugura o que foi chamado de sociedade da informação, que logo mais tarde, passa a ser chamada de sociedade do conhecimento. A sociedade da informação disponibilizou o acesso a grandes bancos de dados para a tomada de decisão. Atualmente, com o advento das redes, mais especificamente, das redes sociais, o homem, além de ter acesso aos bancos de dados, também tem acesso a outras pessoas ao vivo e, em tempo real, para discutir questões que são do seu interesse. Logo, hoje tem-se uma sociedade do conhecimento que produz conhecimento em tempo real e, esse conhecimento pode ser acessado de qualquer lugar, a qualquer hora, a partir de um dispositivo móvel.

Na sociedade do conhecimento, na sociedade em rede, o homem precisa saber como fazer parte daquela rede social que é do seu interesse e, para isso, é necessário ser aceito pelas pessoas que fazem parte destas redes. O que tem valor é o que o homem consegue produzir de conhecimento que possa ser do interesse dos seus pares e, partilhado nas redes. O homem precisa saber fazer acordos, parcerias, links e, ser capaz de analisar e interpretar dados, porque os dados estão disponíveis nos bancos de dados na internet. O que é valioso na sociedade do conhecimento é a capacidade que o homem tem de análise e interpretação crítica desses dados para solucionar problemas da vida real.

Viviane Mosé, afirma que o principal benefício das redes é a revolução da memória porque a educação de séculos passados teve como objetivo a memorização de fórmulas, datas, textos, etc. Hoje, além de ter a memória gravada em um dispositivo como o pendrive, com a internet o homem tem acesso a um grande número de dados, bibliotecas, textos, nas nuvens (cloud). Por isso, não cabe mais à educação exigir que o estudante administre conteúdos, decore datas e fórmulas, porque esses dados estão em abundância na internet. O que a educação precisa fazer nos dias de hoje, é desenvolver o raciocínio, o pensamento crítico e, a análise e interpretação de dados.

Nesse sentido, o estudante precisa ter tempo e espaço para ler, pensar e, escrever sobre o que pensou, pois o ser humano nunca teve tanto valor como nos dias de hoje. Há trinta anos atrás, na sociedade industrial (SARAIVA; VEIGA-NETO, 2009) o que agregava valor à uma empresa era a quantidade de máquinas que a empresa possuía, quanto mais máquinas, mais produção e, mais lucro para o empresário. Na sociedade do conhecimento, o ser humano tem valor, quanto mais talentos uma empresa conquistar, mais sucesso terá nos negócios. No entanto, Viviane Mosé afirma que, “para desenvolver um talento faz-se necessário criatividade e, pra isso o homem precisa de liberdade. Estas necessidades da sociedade do conhecimento, estão mudando as estruturas das empresas, dos governos e, das escolas.

Viviane Mosé afirma que a “a sociedade do conhecimento é sinônimo de rede, só é sociedade do conhecimento por causa das novas mídias digitais”. 

Após a fala da filósofa percebe-se o quanto é importante, nós como educadores, estarmos atentos a estas mudanças na sociedade porque precisamos sair de um contexto paradigmático tradicional, somente da leitura e escrita, para o contexto cibercultural, onde os sujeitos podem e, é esperado que esse sujeito colabore, contribua, construa novos saberes em interação com o outro e em rede. 

Fonte: Pensar Educação Online