ÁREAS DE CONHECIMENTO E INTEGRAÇÃO
CURRICULAR
OBJETIVOS
- Discutir à respeito do direito, reconhecido pelas DCNEM, que o estudante do Ensino Médio tem de se inserir no mundo formal dos conhecimentos – culturalmente produzidos e sistematizados pelas ciências - e difundidos, aplicados e socialmente valorados – para que possam participar de maneira inclusiva na dinâmica da sociedade
- Provocar reflexões discutindo a elaboração de um currículo integrado no Ensino Médio, em suas diferentes modalidades, enquanto formação humana.
A charge abaixo, traz à questão, a diferença entre
os conhecimentos sistematizados da ciência e das letras, mais a experiência de
vida do aprendiz. Assim, é bastante comum entre nós professores indagarmos:
seriam as estruturas lógicas das disciplinas a melhor forma de promover uma
formação que leve ao desenvolvimento humano integral dos nossos
estudantes?
ATIVIDADE CADERNO IV - PARTE I
O trecho
abaixo foi retirado do livro Cartas a Théo, de Vincent Van Gogh. Nessa obra,
são compiladas cartas que o pintor holandês enviou a seu irmão de 1875 até sua
morte, em 1890.
CARTA Nº 195
Haia, abril de 1882
Eis o que penso sobre o
lápis de carpinteiro. Os velhos mestres, com o que teriam desenhado? Certamente
não com um Faber B, BB, BBB, etc., etc., mas com um pedaço de grafite bruto. O
instrumento do qual Michelângelo e Dürer se serviram provavelmente era muito
parecido com um lápis de carpinteiro. Mas eu não estava lá, e portanto não sei
de nada. Sei, no entanto, que com um lápis de carpinteiro podemos obter
intensidades distintas das destes finos Faber, etc.
O carvão é o que há de
melhor, mas quando se trabalha muito, o frescor se perde, e para conservar a
precisão é preciso fixar sem demora. Para a paisagem é a mesma coisa; vejo que
desenhistas com Ruysdaël, Goyen, Calame, e também Roelofs, por exemplo, entre
os modernos, tiraram dele ótimo partido. Mas se alguém inventasse uma boa pena
para trabalhar ao ar livre, com tinteiro, o mundo talvez visse mais desenhos à
pena.
Com carvão mergulhado
na água pode-se fazer coisas excelentes, pude ver isto com Weissenbruch; o óleo
serve para a fixação e o preto torna-se mais quente e mais profundo. Mas é
preferível que eu faça isto daqui a um ano e não agora. É o que digo a mim
mesmo, pois não quero que a beleza se deva a meu material, e sim a mim
mesmo.
Cartas extraídas do livro Cartas a Théo, L&PM
Pocket, 1997, com tradução de Pierre Ruprecht.
As
eventuais incoerências linguísticas foram mantidas pela editora para se
aproximar ao máximo dos escritos do pintor. Estamos diante de um texto
publicado na forma de livro, no qual o autor é um pintor, se referindo ao seu
trabalho e aos instrumentos que tinha disponíveis na época. Refere-se a diferentes
técnicas de pintura, à forma como a natureza pode ser captada a partir de cada
uma delas e, ao mesmo tempo, já trazendo dúvidas sobre o papel do instrumento
tecnológico na autoria da obra.
Com base
neste texto e no que estamos estudando:
1. Destaque as dimensões da cultura,
do trabalho, da ciência e da tecnologia presentes nesse trecho da obra, sabendo
que a:
Tecnologia: Altera a realidade física e social.
Ciência: Adaptação do
homem à realidade (RAZÃO
X MITO)
Cultura: É o conjunto de
riquezas humanas
Trabalho:
- Ontológico: forma pela qual o homem
produz sua própria existência na sua relação com a natureza e com os outros
homens e, assim, produz conhecimentos.
- Histórico: forma específica da produção
da existência humana sob o capitalismo. Portanto, como categoria econômica e práxis
diretamente produtiva.
2. De que forma o texto acima poderia
ser incorporado como material para discussão em sala de aula? Em que contexto e
com qual objetivo?
Clique aqui para postar o seu comentário
