segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

4º Caderno - Parte I



ÁREAS DE CONHECIMENTO E INTEGRAÇÃO CURRICULAR


OBJETIVOS

  • Discutir à respeito do direito, reconhecido pelas DCNEM, que o estudante do Ensino Médio tem de se inserir no mundo formal dos conhecimentos – culturalmente produzidos e sistematizados pelas ciências -  e difundidos, aplicados e socialmente valorados – para que possam participar de maneira inclusiva na dinâmica da sociedade
  •  Provocar reflexões discutindo a elaboração de um currículo integrado no Ensino Médio, em suas diferentes modalidades, enquanto formação humana.
 
 REFLEXÃO
  
A charge abaixo, traz à questão, a diferença entre os conhecimentos sistematizados da ciência e das letras, mais a experiência de vida do aprendiz. Assim, é bastante comum entre nós professores indagarmos: seriam as estruturas lógicas das disciplinas a melhor forma de promover uma formação que leve ao desenvolvimento humano integral dos nossos estudantes? 



 
 
 


ATIVIDADE CADERNO IV - PARTE I



O trecho abaixo foi retirado do livro Cartas a Théo, de Vincent Van Gogh. Nessa obra, são compiladas cartas que o pintor holandês enviou a seu irmão de 1875 até sua morte, em 1890.

CARTA Nº 195


Haia, abril de 1882 


Eis o que penso sobre o lápis de carpinteiro. Os velhos mestres, com o que teriam desenhado? Certamente não com um Faber B, BB, BBB, etc., etc., mas com um pedaço de grafite bruto. O instrumento do qual Michelângelo e Dürer se serviram provavelmente era muito parecido com um lápis de carpinteiro. Mas eu não estava lá, e portanto não sei de nada. Sei, no entanto, que com um lápis de carpinteiro podemos obter intensidades distintas das destes finos Faber, etc. 


O carvão é o que há de melhor, mas quando se trabalha muito, o frescor se perde, e para conservar a precisão é preciso fixar sem demora. Para a paisagem é a mesma coisa; vejo que desenhistas com Ruysdaël, Goyen, Calame, e também Roelofs, por exemplo, entre os modernos, tiraram dele ótimo partido. Mas se alguém inventasse uma boa pena para trabalhar ao ar livre, com tinteiro, o mundo talvez visse mais desenhos à pena.


Com carvão mergulhado na água pode-se fazer coisas excelentes, pude ver isto com Weissenbruch; o óleo serve para a fixação e o preto torna-se mais quente e mais profundo. Mas é preferível que eu faça isto daqui a um ano e não agora. É o que digo a mim mesmo, pois não quero que a beleza se deva a meu material, e sim a mim mesmo. 


Cartas extraídas do livro Cartas a Théo, L&PM Pocket, 1997, com tradução de Pierre Ruprecht. 


As eventuais incoerências linguísticas foram mantidas pela editora para se aproximar ao máximo dos escritos do pintor. Estamos diante de um texto publicado na forma de livro, no qual o autor é um pintor, se referindo ao seu trabalho e aos instrumentos que tinha disponíveis na época. Refere-se a diferentes técnicas de pintura, à forma como a natureza pode ser captada a partir de cada uma delas e, ao mesmo tempo, já trazendo dúvidas sobre o papel do instrumento tecnológico na autoria da obra.


Com base neste texto e no que estamos estudando: 


1. Destaque as dimensões da cultura, do trabalho, da ciência e da tecnologia presentes nesse trecho da obra, sabendo que a: 

Tecnologia: Altera a realidade física e social.

Ciência: Adaptação do homem à realidade (RAZÃO X MITO)

Cultura: É o conjunto de riquezas humanas
        Trabalho:
     - Ontológico: forma pela qual o homem produz sua própria existência na sua relação com a natureza e com os outros homens e, assim, produz conhecimentos.
- Histórico: forma específica da produção da existência humana sob o capitalismo. Portanto, como categoria econômica e práxis diretamente produtiva.

  2. De que forma o texto acima poderia ser incorporado como material para discussão em sala de aula? Em que contexto e com qual objetivo? 


 
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