OBJETIVO
- Discutir na história o que veio
a ser denominado de Humanidades e de Ciências Humanas, problematizando aspectos
estruturais e conjunturais que interferem na elaboração de propostas
pedagógicas interdisciplinares;
- Indagar sobre os jovens
estudantes do Ensino Médio, buscando indicar ações curriculares baseadas no conhecimento e valorização de suas
experiências, saberes e expectativas;
- Analisar o eixo trabalho,
cultura, ciência e tecnologia à luz da contribuição específica dos componentes
curriculares das Ciências Humanas;
- Refletir sobre propostas e sugestões
de abordagens pedagógicas interdisciplinares nas Ciências Humanas, no Ensino
Médio.
REFLEXÃO 1:
O MITO DA CAVERNA
O mito ou
“Alegoria” da caverna é uma das passagens mais clássicas da história da
Filosofia, sendo parte constituinte do livro VI de “A República” onde Platão
discute sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do
Estado ideal.
A narrativa
expressa dramaticamente a imagem de prisioneiros que desde o nascimento são
acorrentados no interior de uma caverna de modo que olhem somente para uma
parede iluminada por uma fogueira. Essa, ilumina um palco onde estátuas dos
seres como homem, planta, animais etc. são manipuladas, como que representando
o cotidiano desses seres. No entanto, as sombras das estátuas são projetadas na
parede, sendo a única imagem que aqueles prisioneiros conseguem enxergar. Com o
correr do tempo, os homens dão nomes a essas sombras (tal como nós damos às
coisas) e também à regularidade de aparições destas. Os prisioneiros fazem,
inclusive, torneios para se gabarem, se vangloriarem a quem acertar as corretas
denominações e regularidades.
Imaginemos
agora que um destes prisioneiros é forçado a sair das amarras e vasculhar o
interior da caverna. Ele veria que o que permitia a visão era a fogueira e que
na verdade, os seres reais eram as estátuas e não as sombras. Perceberia que
passou a vida inteira julgando apenas sombras e ilusões, desconhecendo a
verdade, isto é, estando afastado da verdadeira realidade. Mas imaginemos ainda
que esse mesmo prisioneiro fosse arrastado para fora da caverna. Ao sair, a luz
do sol ofuscaria sua visão imediatamente e só depois de muito habituar-se com a
nova realidade, poderia voltar a enxergar as maravilhas dos seres fora da
caverna. Não demoraria a perceber que aqueles seres tinham mais qualidades do
que as sombras e as estátuas, sendo, portanto, mais reais. Significa dizer que
ele poderia contemplar a verdadeira realidade, os seres como são em si mesmos.
Não teria dificuldades em perceber que o Sol é a fonte da luz que o faz ver o
real, bem como é desta fonte que provém toda existência (os ciclos de
nascimento, do tempo, o calor que aquece etc.).
Maravilhado
com esse novo mundo e com o conhecimento que então passara a ter da realidade,
esse ex-prisioneiro lembrar-se-ia de seus antigos amigos no interior da caverna
e da vida que lá levavam. Imediatamente, sentiria pena deles, da escuridão em
que estavam envoltos e desceria à caverna para lhes contar o novo mundo que
descobriu. No entanto, como os ainda prisioneiros não conseguem vislumbrar
senão a realidade que presenciam, vão debochar do seu colega liberto,
dizendo-lhe que está louco e que se não parasse com suas maluquices acabariam
por matá-lo.
Este modo de
contar as coisas tem o seu significado: os prisioneiros somos nós que, segundo
nossas tradições diferentes, hábitos diferentes, culturas diferentes, estamos
acostumados com as noções sem que delas reflitamos para fazer juízos corretos,
mas apenas acreditamos e usamos como nos foi transmitido. A caverna é o mundo
ao nosso redor, físico, sensível em que as imagens prevalecem sobre os
conceitos, formando em nós opiniões por vezes errôneas e equivocadas,
(pré-conceitos, pré-juízos). Quando começamos a descobrir a verdade, temos
dificuldade para entender e apanhar o real (ofuscamento da visão ao sair da
caverna) e para isso, precisamos nos esforçar, estudar, aprender, querer saber.
O mundo fora da caverna representa o mundo real, que para Platão é o mundo
inteligível por possuir Formas ou Ideias que guardam consigo uma identidade
indestrutível e imóvel, garantindo o conhecimento dos seres sensíveis. O
inteligível é o reino das matemáticas que são o modo como apreendemos o mundo e
construímos o saber humano. A descida é a vontade ou a obrigação moral que o
homem esclarecido tem de ajudar os seus semelhantes a saírem do mundo da
ignorância e do mal para construírem um mundo (Estado) mais justo, com
sabedoria. O Sol representa a Ideia suprema de Bem, ente supremo que governa o
inteligível, permite ao homem conhecer e de onde deriva toda a realidade (o
cristianismo o confundiu com Deus).
Portanto, a
alegoria da caverna é um modo de contar imageticamente o que conceitualmente os
homens teriam dificuldade para entenderem, já que, pela própria narrativa, o
sábio nem sempre se faz ouvir pela maioria ignorante.
Fonte: Brasil Escola
REFLEXÃO 2: SOCIEDADE
DO CONHECIMENTO
A filósofa Viviane
Mosé apresenta, em vídeo uma discussão sobre os desafios para a educação na
sociedade do conhecimento. Segundo a filósofa, nos últimos vinte anos
houve uma mudança radical na sociedade que foi a democratização do
conhecimento. A internet inaugura o que foi chamado de sociedade da
informação, que logo mais tarde, passa a ser chamada de sociedade do
conhecimento. A sociedade da informação disponibilizou o acesso a grandes
bancos de dados para a tomada de decisão. Atualmente, com o advento das redes,
mais especificamente, das redes sociais, o homem, além de ter acesso aos bancos
de dados, também tem acesso a outras pessoas ao vivo e, em tempo real, para
discutir questões que são do seu interesse. Logo, hoje tem-se uma sociedade do
conhecimento que produz conhecimento em tempo real e, esse conhecimento pode
ser acessado de qualquer lugar, a qualquer hora, a partir de um dispositivo
móvel.
Na sociedade
do conhecimento, na sociedade em rede, o homem precisa saber como fazer parte
daquela rede social que é do seu interesse e, para isso, é necessário ser
aceito pelas pessoas que fazem parte destas redes. O que tem valor é o que o
homem consegue produzir de conhecimento que possa ser do interesse dos seus
pares e, partilhado nas redes. O homem precisa saber fazer acordos, parcerias, links
e, ser capaz de analisar e interpretar dados, porque os dados estão disponíveis
nos bancos de dados na internet. O que é valioso na sociedade do conhecimento é
a capacidade que o homem tem de análise e interpretação crítica desses dados
para solucionar problemas da vida real.
Viviane
Mosé, afirma que o principal benefício das redes é a revolução da memória porque
a educação de séculos passados teve como objetivo a memorização de fórmulas,
datas, textos, etc. Hoje, além de ter a memória gravada em um dispositivo como
o pendrive, com a internet o homem tem acesso a um grande número de
dados, bibliotecas, textos, nas nuvens (cloud). Por isso, não cabe mais
à educação exigir que o estudante administre conteúdos, decore datas e
fórmulas, porque esses dados estão em abundância na internet. O que a educação
precisa fazer nos dias de hoje, é desenvolver o raciocínio, o pensamento
crítico e, a análise e interpretação de dados.
Nesse
sentido, o estudante precisa ter tempo e espaço para ler, pensar e, escrever
sobre o que pensou, pois o ser humano nunca teve tanto valor como nos dias de
hoje. Há trinta anos atrás, na sociedade industrial (SARAIVA; VEIGA-NETO, 2009)
o que agregava valor à uma empresa era a quantidade de máquinas que a empresa
possuía, quanto mais máquinas, mais produção e, mais lucro para o empresário.
Na sociedade do conhecimento, o ser humano tem valor, quanto mais talentos uma
empresa conquistar, mais sucesso terá nos negócios. No entanto, Viviane Mosé
afirma que, “para desenvolver um talento faz-se necessário criatividade e, pra
isso o homem precisa de liberdade. Estas necessidades da sociedade do conhecimento,
estão mudando as estruturas das empresas, dos governos e, das escolas.
Viviane Mosé
afirma que a “a sociedade do conhecimento é sinônimo de rede, só é sociedade
do conhecimento por causa das novas mídias digitais”.
Após a fala
da filósofa percebe-se o quanto é importante, nós como educadores, estarmos
atentos a estas mudanças na sociedade porque precisamos sair de um contexto
paradigmático tradicional, somente da leitura e escrita, para o contexto
cibercultural, onde os sujeitos podem e, é esperado que esse sujeito colabore,
contribua, construa novos saberes em interação com o outro e em rede.
Fonte: Pensar Educação Online
